13 junho 2017

Atualmente, ninguém ilustra melhor o cenário pop brasileiro do que Anitta (ou seria "Anira"?). Ela já foi Larissa (seu nome de batismo), já foi MC Anitta (quando se apresentava majoritariamente em bailes funk), mas foi como Anitta que ela se tornou um fenômeno midiático no Brasil e, mais recentemente, no mundo. A cantora é considerada a 15ª artista mais influente do mundo nas redes sociais na lista Social 50 da revista Billboard. A brasileira de 24 anos está à frente de personalidades como Shakira, Beyoncé, Rihanna, Ed Sheeran... é ou não é um "lacre"?

Os números de seguidores, assim como o alcance, são impressionantes, mas é o poder viral incentivado por um uso estratégico das redes sociais que deixa tudo ainda mais interessante. Em primeiro lugar, é importante ressaltar que Anitta usa cada uma das redes de maneira particular, reconhecendo as potencialidades de cada uma, raramente replicando conteúdo. Ela segue a cartilha do bom uso dos social media direitinho.

Foto: Divulgação 

O Twitter é a rede onde ela é mais livre de parâmetros e adepta da zueira sem limites, responde a especulações sobre ela, brinca com as fofocas a seu respeito e retuíta notícias. No Facebook, ela dialoga constantemente - e de forma hábil - com as marcas, posta as paródias das suas músicas, divulga a agenda da semana. E a relação com as marcas não se restringe a esse espaço, ela come Cheetos no clipe de "Paradinha", os bastidores da gravação do clipe foram divulgados pela Samsumg Mobile Brasil...

No caso do Instagram, são muitas fotos descoladas, algumas publicações usando o boomerang. Já no YouTube, ela costuma separar por semanas a divulgação do clipe oficial, vídeos com as letras das músicas, coreografia e making off. Diferente plataforma, diferente linguagem.

Além disso, ela tem como vantagem o fato de não precisar "montar" nada disso. Aparentemente, o uso das redes sociais é muito natural para ela, que gerencia a própria carreira. A moça está com o inglês e o espanhol afiadíssimos e já publica parte do seu conteúdo com a tradução, sabe fazer o uso das hashtags, mas, acima de tudo, tem o frescor da experimentação e da naturalidade com a qual se comunica em cada uma das redes.



O resultado disso é muito burburinho, em português, inglês e espanhol. Aquele famoso "fale bem ou fale mal, mas fale de mim" coloca o nome da cantora em todos os holofotes. É uma estratégia de marketing fluida e que vem trazendo muitos frutos para a Anitta. Hoje, dia 13 de junho, o clipe da última música lançada, "Paradinha", tem mais de 32 milhões de visualizações. No Spotify, a mesma música bateu recorde de estreia e é a canção mais executada do Brasil no aplicativo.

Os vídeos com a coreografia e paródias de "Paradinha" seguem bombando tanto no YouTube quanto no Facebook. Tem versão da Marina Ruy Barbosa, da Viviane Araújo, da Thaila Ayala, do estilista italiano Stefano Gabbana, um dos fundadores da grife Dolce & Gabbana... vamos lembrar que o vídeo foi lançado somente 13 dias antes desse nosso texto ser divulgado!

Tá, mas vamos aos números

Prestes a ser a brasileira com mais seguidores do Instagram, Anitta tem atualmente 20,6 milhões de pessoas que a acompanham nesta rede. Por enquanto, este posto é ocupado pela atriz Bruna Marquezina, que tem 21,2 milhões seguidores. No Facebook, são 13.491.064 de curtidores. No YouTube, são 4.661.292 de inscritos e mais de 1 bilhão e meio de visualizações. E no Twitter, seu número de seguidores supera 4 milhões e 700 mil pessoas.

Não dissemos que os números eram impressionantes? A carioca de trajetória batalhadora tem as rédeas da sua carreira em ascensão e está conquistando o mundo inteiro com talento, sagacidade e lucidez. Opinião musical à parte, Anitta é hoje inegavelmente a principal artista pop do país e a sua atuação no âmbito digital é um exemplo de como o jogo deve ser jogado. A menina conquistou a fama e a mulher está dando aulas sobre como ser cada vez mais conhecida (e reconhecida). Pre-pa-ra!

30 maio 2017




LinkedIn é a rede social voltada para profissionais mais conhecida da web. Os perfis, diferentes das outras redes, são preenchidos pela trajetória profissional, especializações, textos e opiniões sobre alguns assuntos. Sem memes e todo mundo comportado nas fotos, a rede vem se consolidando no Brasil. 

São 29 milhões de profissionais conectados ao LinkedIn no Brasil e, ainda, segundo dados da própria rede, mais de 100 mil profissionais inscrevem-se semanalmente na rede em nosso país. Infelizmente, não temos como deixar de associar ao atual momento do país, são 14,2 milhões de desempregados, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O site une pessoas que buscam recolocação, mudança de emprego, mas também há um movimento de profissionais que publicam reflexões ou opiniões bem particulares sobre determinados assuntos.

Bons exemplos

Rony Meilsler (CEO do Grupo Reserva) publicou o texto "Precisamos falar sobre a violência nas mídias sociais" com objetivo de passar a limpo e esclarecer os ataques que a marca recebeu na web. Sob o título de "Tomar um pé na bunda foi a melhor coisa que poderia ter acontecido na minha vida" esse foi texto mais lido em 2016, de autoria da apresentadora Ana Maria Braga.  Enfim, tem muita coisa acontecendo por lá! 

Com toda a movimentação na rede, o LinkedIn vem se organizando e as oportunidades para quem deseja conversar com esse público estão cada vez mais evidentes. Vamos abordar aqui um exemplo para ilustrar o que estamos falando: a página do LindedIn ““Santander Universidades – Brasil”. Com o objetivo de conversar diretamente com os universitários, a marca em uma página exclusiva, atualizações patrocinadas (Sponsored Updates) e anúncios de display (Follow Ad).

Com meta de conquistar 50.000 seguidores, o Santander estava interessado em fazer parte de um momento específico na vida do estudante, quando eles estão se encaminhando para o mercado de trabalho. Como resultado, foram 52 mil novos seguidores conquistados e uma taxa superior a 1% de engajamento direto.

“O LinkedIn se mostrou a opção mais assertiva, por ser uma rede voltada ao mercado de trabalho e por ter ferramentas de segmentação muito avançadas. Queremos estar com nossos clientes em todas as fases da sua vida e essa estratégia vai nos ajudar a criar vínculos duradouros com os futuros profissionais”, afirmou o superintendente executiva de Comunicação Externa do Santander Brasil, Clau Duarte.


Vem conferir com a gente alguns dos formatos disponíveis para anúncio no LinkedIn:

Sponsored InMail - Eis a grande diferença com relação ao Facebook e às outras redes! É possível enviar mensagens via inbox para as pessoas com base na segmentação.


Texto Fest - Bem parecido com os anúncios que já são intuitivos,  eles permitem criar, gerenciar e otimizar campanhas personalizadas em questão de minutos.   





Mas o LinkedIn é para todo mundo? Depende do objetivo da empresa. Mas o fato é que, como nesta rede as pessoas parecem mais dispostas a serem reconhecidas ou encontradas, a chance de encontrar informações mais completas é maior e, sendo assim, existe um campo mais amplo para uma segmentação de qualidade. 

Por falar em segmentação, o LinkedIn pode ser específico em um nível bem interessante: setor e tamanho da empresa, cargo, função, nível de experiência e competências do usuário.  Produtos ou serviços ligados a essas segmentações têm uma oportunidade única! Com segmentação de B2B ("business to business", numa tentativa de tradução: quando o mercado vende para o mercado), por exemplo.  

E uma novidade da rede é a Matched Audiences, uma plataforma que permite os anunciantes atingir o público que já demonstrou interesse, seja pela visita ao website (pixel) ou se cadastrando via e-mail.         

Uma pesquisa da Earnest Agency afirma que, 85% dos compradores B2B acreditam que as empresas devem apresentar informações via redes sociais. Curioso, né? Acreditamos que isso acontece porque buscamos cada vez mais validar a empresa que queremos contratar.  Concordam?

Bom, agora é a hora de considerar o potencial estratégico da rede. Se organizar direitinho, todo mundo anuncia, publica e consegue as recolocações.  Vida longa ao LinkedIn!    

11 maio 2017

No marketing, nada é isolado. Quando estamos falando de algum caso bem-sucedido, geralmente existe uma enorme diversidade de fatores que influenciam no referido resultado positivo. No entanto, uma boa estratégia com coordenação e persistência pode alcançar patamares surpreendentes. Atualmente, no que diz respeito à política, é impossível ignorar o caso de marketing que se tornou o prefeito de São Paulo, João Doria, do PSDB. Neste texto, vamos tentar ser diretos sobre o ponto que queremos analisar: o desempenho de Doria como persona política dentro do ponto de vista da comunicação.


O aviso tem que ser escrito, pois vivemos um momento de paixões inflamadas. Após cinco meses ocupando a chefia do Executivo da cidade de São Paulo, o empresário e ex-apresentador de televisão está no olho do furacão, com fãs apaixonados e ferozes detratores. A ascensão dele é notável, de candidato inexperiente na política a possível candidato à Presidência da República em 2018. A primeira coisa que podemos observar é o discurso alinhado com um sentimento que permeia a sociedade brasileira como um todo atualmente: a antipolítica. "Não sou político, sou gestor", disse em repetidas ocasiões o candidato. Existe um descontentamento generalizado com as correntes políticas tradicionais e um esgotamento de lideranças carismáticas. Figuras como Doria - e Donald Trump, também ex-apresentador de televisão - aproveitaram esse vácuo para surfar no discurso do senso comum.

Doria afirma dormir 3 horas por dia; usa uniforme de gari; encarna o discurso anti-petista; cumpre a promessa de doar o salário de prefeito; responde às críticas com celeridade; tem uma equipe ativa e presente nas redes sociais... está jogando bem direitinho em cima do cenário atual. Ah, não podemos esquecer que Doria é jornalista e publicitário. Encontrar elogios rasgados na fanpage dele com 2 milhões 670 mil curtidores é uma tarefa simples. Mensagens como: "Chega a ser inacreditável a eficiência da sua gestão! Um grande abraço e continue assim, estamos sempre ao seu lado!"; "É João Dória! Você é o CARA! Continue com esse coração de ser humano! Jamais tenha um coração de politico!" são abundantes. É claro que há críticas negativas também, mas certamente ficam bem atrás em quantidade e entusiasmo.

Podemos citar um dos nomes mais importantes mundialmente do marketing, o norte-americano Philip Kotler, na tentativa de entender melhor a estratégia do prefeito de São Paulo. Segundo Kotler, o marketing é uma forma de comunicação e troca com os clientes, mas não se restringe aos produtos comerciais. Políticos também podem se servir dessa ideia, entregando ao eleitor (entendido nesse contexto como um cliente, um consumidor) uma proposta de alto valor. No caso de Doria, ele se compromete a devolver qualidade aos serviços públicos, mirando e acertando num conceito-valor que representa uma carência geral na administração pública. "O empresário trabalhador que entende o valor de bons serviços no dia a dia da população". É uma premissa altamente sedutora.

Caso Amazon

Uma das polêmicas do governo Doria até o momento é a questão do grafite e pichação pela cidade. O prefeito, em ação do programa "Cidade Linda", pintou de cinza muros grafitados da Avenida 23 de Maio e declarou "guerra aos pichadores". Uma das críticas que surgiram em consequência foi da empresa Amazon. Um vídeo publicitário da marca divulgado na Internet começa com a frase “Cobriram a cidade de cinza?” e continua com citações de escritores projetadas sobre muros e paredes da cidade. No final, a propaganda encerra: “A gente cobriu o cinza de histórias” e apresenta um aplicativo produzido pela companhia que possibilita a leitura de livros eletrônicos.

Muro da Avenida 23 de Maio após ação de João Dória | Foto: Agência Brasil
Imediatamente, Doria reagiu e qualificou a empresa como oportunista. Adivinha qual a reação fez mais barulho? Isso mesmo, a de Doria. Após a polêmica, algumas empresas se dispuseram a doar livros e equipamentos de tecnologias para escolas públicas de São Paulo. E uma parcela dos internautas passou a "atacar" em massa os anúncios da Amazon com muitas reações negativas e palavras duras nos comentários.

Ainda não sabemos qual será a estratégia de longo prazo do atual prefeito de São Paulo e nem como vai se desenrolar o caldeirão político do nosso país daqui para frente. Mas podemos afirmar com segurança que a partir do momento em que há acertos no discurso e coerência, o marketing político pode trazer muitos frutos para o candidato.